A MARCHA CAFEEIRA
NO ESPÍRITO SANTO
O
cultivo de cafezais do Rio de Janeiro, em meados do século passado, irradia-se
para o Espírito Santo. Na Segunda metade do século XIX, a cafeicultura passa
a substituir os canaviais, tornando-se, progressivamente, a principal atividade
absorvedora dos capitais disponíveis.
Assim, a cafeicultura capixaba inicia-se
pelo primeiro plantio Ter sido realizado, segundo historiadores, em Linhares,
região norte. A atividade cafeicultora não se traduziu nesse início em um
novo padrão de desenvolvimento econômico, mas em uma substituição interna
no modelo primário exportador canavieiro. O café, naquele período, mostrava
vantagens comparativas conquistando, progressivamente, áreas antes cultivadas
com cana-de-açúcar. Toda e estrutura produtiva canavieira é reproduzida
nos cafezais: o regime escravocratas e a grande propriedade monocultora.
“Tão vigorosa foi a expansão da cefeicultura
que, apenas entre 1852 e 1862, a exportação deste produto passou de 95053
arrobas para 223442 arrobas. No mesmo período, a exportação de açúcar caiu
de 117021 arrobas para 30053 arrobas (CASER, 1992)”.
Com o tempo, a cafeicultura se implantou
de maneira mais vigorosa nas terras do sul, onde prevaleciam os baixos preços
das terras, em sua maior parte ainda devolutas, com florestas de difícil
penetração.
“A cultura do café, repetiu no Espírito
Santo o que tinha induzido em outras regiões por onde passou: geração de
excedentes econômicos que possibilitavam o investimento em potros setores
da economia como ferrovias, estradas, navegação, bom como a fixação de numerosos
núcleos de imigrantes (BANCO DE DESENVOLVIMENTO DO ESPÍRITO SANTO, 1987)”.
Da crise de
30 aos anos 60
A crise da cefeicultura dos 30 trouxe à
tona a fragilidade da economia estadual e, a partir de então, começaram
a ser gestadas políticas visando a diversificação produtiva.
O desempenho da cafeicultura brasileira
e capixaba apresentou um tendência de crescimento da produção entre
1938 e 1968. Até meados da década de 50, a produção de café mantém-se estabilizada
no patamar de 1,7 milhão de sacas de 60 kg. Dois fatos favorecem uma intensificação
no plantio capixaba e nacional nessa década. Entre 1950 e 1954 houve preços
compensadores em função da elevação dos preços internacionais.
Já entre 1954 e 1957 pratica-se uma política
cambial de desvalorização da moeda nacional que aumentou a remuneração nominal
dos produtores, provocando aumento da produção cafeeira brasileira e capixaba.
Porém, os anos 60 mostraram-se dramáticos
para a cafeicultora, fazendo dessa década um período de reestruturação.
Por um lado, aprofunda-se a crise no mercado do café com preços declinantes.
Por outro, “a debilidade do setor industrial e das demais atividades
urbanas, incapazes de suplantar a queda da atividade econômica advinha da
crise cafeeira, configuravam uma sitiação sem precedentes na história do
Espírito Santo (ROCHA & MORANDI, 1991)”.
A crise repercute fortemente sobre o desempenho
da produção brasileira que mostra uma acentuada queda na produção cafeeira.
No período de 10 anos (1958-1968), a produção anual capixaba decresce cerca
de 1.0 milhão de saca.
Em 1962, o plano elaborado pelo GERCA –
Grupo Executivo de Racionalização da Cafeicultura, instituída por autoridades
governamentais do Instituto Brasileiro do Café (IBC), é posto em prática,
prevendo uma erradicação dos cafezais situados fora do zoneamento agrícola
(regiões inaptas para o café) e que representassem produtividade inferior
a 6 sacas beneficiadas/1.000 pés, considerada antieconômica.
Foi no Estado do Espírito Santo que a política
de erradicação, teve maior impacto, provocando uma profunda crise social,
devido, principalmente, ao problema do desemprego no setor agrícola, que
provocou êxodo de famílias para as cidades.
Alarmados, as autoridades do Governo Estadual
e o empresariado, em geral vinculado à atividade cafeicultora, passaram
a pressionar os órgãos Federais e através de um acordo entre o Governo Estadual
e IBC, foram repassados recursos que auxiliariam a retomada da atividade
econômica estadual. E somente em 1969, passa a operar um mecanismo e incentivos
fiscais vinculados ao governo estadual, com política nitidamente voltada
para a industrialização e diversificação da economia cafeeira.
O SURGIMENTO
DO CAFÉ ROBUSTA (CONILON)
A partir dos anos 70, o IBC volta a estimular
o cultivo de cafezais. As áreas liberadas pela erradicação abaixo de 450
metros de altitude, não encontravam alternativas viáveis fora da cafeicultura,
ficando impedidos de tomar crédito para o plantio da rubiácea. Além da altitude,
aponta-se outros fatores que contribuem para o impedimento dessas áreas
ao cultivo de arábica – altas temperaturas e umidade são inimigos dos cafezais.
A introdução do café robusta no Espírito
Santo ocorre, na realidade, no final da década de 20. As primeiras
sementes foram plantadas no município de Cachoeira de Itapemirim.
Havia um forte preconceito com relação ao robusta, pois esse café competia
com o brasileiro, no mercado, estruturado por três tipos; suaves, brasileiro
e robusta. Os países consumidores, sobretudo, os da Europa, produziam misturas
com cafés suaves e robustas, substituindo o café brasileiro e gerando uma
resistência interna ao robusta. porém foi apenas após a política de erradicação
implementada pelo GERCA que o robusta começa a surgir como alternativa.
A abundância de recursos fartamente subsidiados
e a tradição dos cafeicultores, fizeram surgir toda uma mobilização para
que o IBC financiasse lavouras de café robusta, apto para regiões onde estava
impedido o cultivo do arábica.
Inicialmente, houve resistência das regiões
que cultivavam arábica. Os produtores temiam que as lavouras de robusta
viesse a substituir os cafés mais finos, dados os menores custos de produção
e a elevada produtividade do robusta.
Por outro lado, sendo o Brasil, um país
signatário de Acordo Internacional do café (AIC), temia-se que a inclusão
do robusta viesse a promover uma divisão da cota brasileira entre arábica
e sendo esse último menos valorizado no mercado internacional, levaria a
diminuição na receita cambial do país.
“Este conjunto de fatores levou os produtores
a iniciarem por conta e risco as respectivas lavouras de conilon, sem qualquer
auxilio financeiro do governo”.
Fonte: COOABRIEL - Relatório
de atividades de 1997
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